Pedivela e o comprimento
Você já deve ter se perguntado:
Comprimento da pedivela – ou braço de pedivela – é documento?
Teremos que estudar o problema do começo. A locomoção numa bicicleta é essencialmente rotativa. É através do giro das bi – cycle (duas rodas) que temos o movimento desejado. Por simples que pareça, temos aí um problema:
As rodas giram indefinidamente, quantas voltas se possa imaginar, enquanto que nós humanos temos articulações que permitem apenas frações de uma volta – ângulos menores que 360º.
Mecanismo das Quatro Barras
A solução deste problema se dá por via de uma interessante concepção chamada de mecanismo de quatro barras. Através deste curioso arranjo com quatro “links” de diferentes tamanhos é possível transformar movimentos alternativos – que não completam uma volta – em movimentos rotativos – giram indefinidamente -, como é o caso da pedivela – e manivelas em geral. A conversão no sentido contrário também existe, caso dos limpadores de parabrisas de carros.
As medidas de cada uma das barras influi diretamente na velocidade de rotação e no torque. Na situação da bicicleta temos as medidas humanas constituídas pelas pernas compondo duas – uma acima e outra abaixo do joelho – das quatro barras.
A terceira barra seria o braço da pedivela. A quarta barra é onde tudo está fixado ou, geometricamente, a distância da articulação do fêmur na bacia até a caixa central
Clicando na imagem a seguir você pode ver a influência dessas medidas no comportamento do mecanismo por meio de um software.
A medida básica para este sistema funcionar é que:
- o comprimento da bacia até o joelho seja maior que a do braço da pedivela e que;
- o comprimento do (selim até caixa central+distância da pedivela) seja menor que o comprimento da perna inteira.
Sem estes não temos a transformação de alternativo em rotativo. Na prática significa que com a perna esticada precisa tocar o pedal na sua posição mais baixa.
Afinal, é ou não é documento?
Existe uma certa expectativa em utilizar pedivelas com braço maior em pessoas maiores. Estes braços são disponíveis em comprimentos que variam de 165 a 177,5mm. Em geral encontramos as opções de 170 ou 175 para componentes mais acessíveis. Podemos fazer algumas considerações de força e torque para uma mesma pessoa utilizando pedivelas de comprimentos diferentes (e todos os demais componentes iguais para cada situação):
Pedivela longa em relação a pedivela curta:
- A perna irá fazer uma força menor para o mesmo torque na roda.
- Como a potência é igual, a perna irá se movimentar mais rápido.
- O ângulo de articulação do joelho e no glúteo será maior durante uma volta completa da pedivela.
- O pedal passará mais próximo do chão.
- Irá gerar um torque maior quando pedalar de pé – peso do ciclista multiplicado pelo comprimento do braço da pedivela -, mas com um deslocamento maior em cada rotação.
Ok. Habemus diferença.
De qualquer forma, a diferença é muito pequena, de difícil percepção – cerca de 3% -. Medidas mais significativas como relação de marcha – uns 12% de diferença de uma marcha para outra – ou calibragem dos pneus acabam mascarando alguma vantagem para um ciclista não profissional. A grosso modo, pode-se recomendar pedivelas maiores para pessoas maiores e passar para a próxima dificuldade que é encontrar a peça à venda do jeito que se deseja.
Tags: mecanismo das quatro barras, pedivela
This entry was posted on quinta-feira, maio 15th, 2014 at 20:53 and is filed under Componentes Mecânicos, Física, Temas. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. Both comments and pings are currently closed.


maio 16th, 2014 at 10:37
lulis says:Muito bom. Então, no fim, tentar ganhar 3% de rendimento pode render mesmo é um alguma lesão se a ergonomia não ficar adequada!
maio 19th, 2014 at 16:25
thiago says:O rendimento acaba sendo o mesmo porque o que se ganha em rotações se perde em torque e vice-versa. Por isso ergonomia sempre tem que vir em primeiro lugar.