{"id":180,"date":"2009-03-24T23:49:31","date_gmt":"2009-03-25T03:49:31","guid":{"rendered":"http:\/\/garagem.odois.org\/?p=180"},"modified":"2026-03-28T23:51:34","modified_gmt":"2026-03-29T02:51:34","slug":"manutencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/garagem.odois.org\/manutencao\/","title":{"rendered":"Manuten\u00e7\u00e3o Cl\u00e1ssica"},"content":{"rendered":"<p>Manuten\u00e7\u00e3o. Assunto chato, necess\u00e1rio e frequente no mundo relacionado a bicicletas.<\/p>\n<p>A via de regra, todo componente mec\u00e2nico, exposto a algum tipo de esfor\u00e7o de contato, seja ele atrito, impacto, flex\u00e3o ou tra\u00e7\u00e3o, \u00a0tem sua vida \u00fatil limitada e precisar\u00e1 ser subistituido em algum momento. A qualidade destes componentes poder\u00e1 apenas adiantar ou atrasar este processo, n\u00e3o evita-los.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso , temos outros dois fatores que tornam manuten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Lubrifica\u00e7\u00e3o e sujeira (contamina\u00e7\u00f5es) .\u00a0<\/p>\n<p>Todo lubrificante tem vida \u00fatil. Perde sua propriedade com o tempo e com o uso. E a sujeira impede o bom funcionamento das superficies que tem contato ( tamb\u00e9m chamadas de interfaces) e proporcionam a acelera\u00e7\u00e3o do processo de corros\u00e3o.<\/p>\n<p>Vamos ent\u00e3o , relacionar os problemas acimas com situa\u00e7\u00f5es reais nas bicicletas.<\/p>\n<p>Cubos , caixa de dire\u00e7\u00e3o e caixa central. Fun\u00e7\u00f5es diferentes , por\u00e9m principios de funcionamente similares. S\u00e3o virtualmente &#8220;selados&#8221;. Ou seja, a entrada de sujeira \u00e9 muito rara, podemos assim praticamente desconsidera-la. Outra caracteristica \u00e9 sua lubrifica\u00e7\u00e3o constante. Sua veda\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de n\u00e3o permitir a entrada de sujeira, impede tamb\u00e9m a perda de lubrificante ( usualmente graxa) . Por\u00e9m isto n\u00e3o os torna eternos. Os lubrificantes presentes neles, com o tempo ir\u00e3o degradar pelo pr\u00f3prio uso e um dia ter\u00e3o que ser subistituidos. O contato das esferas com as pistas dos rolamentos geram um fen\u00f4meno de fadiga superficial, geradas pelas altissimas tens\u00f5es de Hertz ( esfera sobre uma superficie plana (ou quase).\u00a0<\/p>\n<p>Modernamente, estas duas vari\u00e1veis s\u00e3o projetadas para terem vidas \u00fateis pr\u00f3ximas. Ou seja, a vida \u00fatil tanto do lubrificante quanto dos rolamentos s\u00e3o iguais. Sendo assim engraxar cubos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 algo necess\u00e1rio em cubos modernos, salvo quando indicado pelo manual do fabricante ( Campagnolo, por exemplo, descrevia uma rotina de revis\u00f5es e engraxamentos em seus manuais de cubos).<\/p>\n<p>Pneus. Provavelemente o componente que tem seus desgaste mais vis\u00edvel e mensuravel entre os componentes. Seu uso indicar\u00e1 nas suas pr\u00f3prias ranhuras o desgaste. Seu contato com o asfalto, concreto , pedras e eventuais fric\u00e7\u00f5es (travamentos em frenagens) fazem\u00a0( ou deveriam fazer)\u00a0um <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Distribui\u00e7\u00e3o_de_Weibull\">desgaste homogeneo na banda de rodagem, com v\u00edes para a \u00e1rea central.<\/a>\u00a0\u00a0Freios de todos os tipos podem ser classificados da mesma forma, com desgaste exclusivo por atrito.<\/p>\n<p>Raios. Fadiga exclusiva por for\u00e7as c\u00edclicas de tra\u00e7\u00e3o. Em geral, como todos os raios tem esfor\u00e7os similares, quando um quebra naturalemnte por fadiga, provavelmente todos os outros (da mesma roda) est\u00e3o com sua vida \u00fatil igualmente pr\u00f3xima do fim.<\/p>\n<p>Elementos de transmiss\u00e3o. A parte cr\u00edtica da bicicleta. Apresenta todos os problemas citados no inicio do texto. Atrito, tens\u00f5es de contato, flex\u00f5es, problemas de lubrifica\u00e7\u00e3o, sujeira e for\u00e7as de tra\u00e7\u00e3o altas.<\/p>\n<p>O seu desgaste ( pela utiliza\u00e7\u00e3o, do ingles <em>wear<\/em>) \u00e9 t\u00e3o acelerado que fen\u00f4menos como a degrada\u00e7\u00e3o do lubrificante e fadiga superficial nem chegam a serem observadas. O problema acaba se concentrando na dilata\u00e7\u00e3o da corrente ( o m\u00f3dulo deixa de ser o nominal ) pelos efeitos de perda de massa nos pinos e rolos devido ao atrito e aumento do comprimento dos elos pelas for\u00e7as ciclicas de tra\u00e7\u00e3o. Nas engrenagens ( coroas da pedivela e pinh\u00f5es do cassete o catraca) temos a perda da geometria correta (os dentes tendem a ficar triangulares e n\u00e3o &#8220;circulares&#8221;) pelos esfor\u00e7oes de compress\u00e3o e atrito .<\/p>\n<p>Este processo \u00e9 (muito) acelerado pela exposi\u00e7\u00e3o do sistema. N\u00e3o apenas o lubrificante desprente sozinho da corrente e engrenagens como p\u00f3, areia e outros contaminantes come\u00e7\u00e3m a acumular nestes componentes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Resumidamente, n\u00e3o importa o quanto seja gasto nas pe\u00e7as, estas sempre ter\u00e3o uma vida limitada ( a n\u00edvel profissional, temos inclusive trincas de fadiga em pontos cr\u00edticos do quadro, fato que fica longe de acontecer caso n\u00e3o se utilize uma mesma bicicleta 150km\/dia, todos os dias durante 5 anos). Cuidado com &#8220;revis\u00f5es de cubos&#8221;. Em geral pouco se pode fazer desmontando tais componentes e ainda corre-se muito risco ao se monta-los sem torquimetros e equipamentos adequados.<\/p>\n<p>Todos estes desgastes podem ser resolvidos em dois tipos de manuten\u00e7\u00e3o: Preventiva e corretiva.<\/p>\n<p>\u00a0A corretiva, como o nome j\u00e1 diz, busca solucionar problemas que j\u00e1 ocorreram, pe\u00e7as danificadas e que impe\u00e7am o uso do equipamento.\u00a0<\/p>\n<p>Na manuten\u00e7\u00e3o preventiva, faz-se um plano de manuten\u00e7\u00e3o ( com base em tempo ou em quilometragem). Nestas revis\u00f5es programadas substituem componentes que apresentas sinais iniciais de desgaste ou mais corretamente quando expira a vida estimada para tal componente, evitando-se assim compromenter outros ( a exemplo temos a troca preventiva de correntes para preservar cassete e pedivela). Como vantagens temos a seguran\u00e7a (te\u00f3rica) de subistituir as pe\u00e7as em dias programados, n\u00e3o em locais in\u00f3spitos e tamb\u00e9m trocar pe\u00e7as que n\u00e3o mostram sinais de desgaste ( caixa central) por ficarem escondidas dentro de outras pe\u00e7as. Como desvantagem temos o custo elevado ja que n\u00e3o podemos &#8220;sobreutilizar pe\u00e7as&#8221; e o acobertamento de defeitos de fabrica\u00e7\u00e3o, uma vez que as inspe\u00e7\u00f5es ser\u00e3o subistituidas por subistitui\u00e7\u00f5es fixas.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, acaba-se por realizar um misto entre estes dois m\u00e9todos, subistituindo alguns por necessidade e outros por precau\u00e7\u00e3o. De qualquer forma \u00e9 sempre bom deixar a seguran\u00e7a acima de qualquer premissa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuten\u00e7\u00e3o. Assunto chato, necess\u00e1rio e frequente no mundo relacionado a bicicletas. 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