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Mistérios de compatibilidade

Como a maioria das experiências com marcas diferentes na mesma bicicleta indicam, misturar Campagnolo, Sram, Shimano (junto à shimano temos várias marcas que seguem a mesma padronização, como a Suntour, por exemplo) é mais incerto que misturar islâmicos fundamentalistas com católicos da Opus Dei numa sala fechada.

Recentemente fiz uma experiência deste tipo. Com passadores Shimano Tiagra 2008, para pedivela tripla na frente, 9 engrenagens atrás, câmbio dianteiro Campagnolo Veloce 1996 para 8 velocidades atrás e pedivela dupla. Estes itens ainda seriam instalados para funcionar numa pedivela dupla campagnolo (39×53) da mesma época do câmbio.

A idéia não foi exatamente testar a compatibilidade, mas reduzir meus custos, já que caso não funcionasse eu iria trocar o câmbio de qualquer jeito, então por que não tentar. A regulagem foi propositalmente feita de modo deixar o passador selecionar as coroas da pedivela com as duas primeiras marchas do passador. Na seguinte forma: A pedivela tripla arbitraria.

Posição no passador

Coroa na Pedivela Tripla

Coroa na Pedivela Dupla

1

30

39

2

42

53

3

52

Pode parecer estranho , pois dá a entender que o correto seria utilizar os dois cliques superiores ,mas não é. Caso faça isso, pode ocorrer de estar na posição 2 e na 39 dentes e liberar mais cabo, deixando o câmbio parado no limitador de curso mas soltaria o cabo da mesma forma, criando uma “clic” em falso.

Utilizando a 1 e 2, quando se esta na 53 dentes, ainda teria mais um “clic” para a posição 3, mas o câmbio está limitado superiormente e impede este último clique, deixando apenas a opção de descer para a posição 1 quando se está na 2 e subir para a 2 quando se está na 1. Evita clique em falsos e erros eventuais.

Feito isso, regulei os limites superiores e inferiores do câmbio e a tensão no cabo e eis que algo inédito para mim ocorreu.

Apesar de estar utilizando Campagnolo e Shimano, o resultado foi melhor que o esperado. Esta combinação funcionou de forma mais precisa que o original Campagnolo x Campagnolo. Sobe e desce em um clique muito rápido e não precisa fazer a “trimagem”, fato frequente no meu antigo Campagnolo quando se utiliza relações como 39×13 para que a corrente não respe no câmbio dianteiro.

Como um câmbio Campagnolo para pedivela dupla de 8 velocidade de 1996 com um passador Shimano para pedivela tripla de 9 velocidades de 12 anos depois funciona com tamanha precisão, melhor que muito grupo novo.

É uma daquelas perguntas que me fazem pensar que algumas imprecisões são meio propositais para ter sempre algo para melhorar na edição do ano seguinte. Talvez não seja isso, talvez sim, mas de qualquer forma consegui economizar um bom dinheiro por não precisar trocar o câmbio dianteiro.

Obs: Peças mais antigas como os cubos Shimano Alívio dos anos 90, grupos Campagnolo dessa época entre outros tem uma durabilidade que dificilmente encontro em grupos mais novos. O câmbio dianteiro e o passador dianteiro Campagnolo veloce relatados nessa postagem funcionavam como novos, sem folga, com a rigidez das molas intacta. Meu câmbio traseiro Sram 3.0 utilizado na bicicleta todo terreno durou um ano e mesmo antes de estragar, já apresentava folga e a mola “cansada”.

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